Dr. Allan Stoltemberg, Medicina da Obesidade
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Emagrecimento e evidência

Qual a melhor caneta emagrecedora: Ozempic ou Mounjaro?

O que os estudos mostram, quais são as indicações aprovadas e por que eficácia, tolerância e custo precisam entrar na mesma conversa.

Pessoa segurando uma caneta injetável próxima ao abdômen, em imagem ilustrativa
Fotografia ilustrativa: Lau Baldo / Unsplash. A imagem não identifica uma marca nem demonstra técnica de aplicação.

A resposta começa antes da marca

Ozempic e Mounjaro aparecem em conversas sobre emagrecimento como se fosse possível escolher um vencedor para todo mundo. Mas a decisão envolve mais do que o peso perdido em um estudo: diagnóstico, indicação aprovada, riscos, resposta ao tratamento e possibilidade de mantê-lo também contam.

As duas substâncias têm evidências de benefício, mas não são o mesmo medicamento. E uma comparação entre princípios ativos não torna todas as marcas, apresentações e doses equivalentes. É essa diferença que precisa ficar clara antes de olhar preço ou relatos nas redes sociais.

Ozempic, Wegovy e Mounjaro: nomes diferentes importam

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Indicações relevantes para esta comparação no Brasil
ProdutoSubstânciaIndicação
OzempicSemaglutidaDiabetes tipo 2. Não é a marca de semaglutida registrada especificamente para controle de peso.
WegovySemaglutidaControle de peso em pessoas que atendem aos critérios da indicação.
MounjaroTirzepatidaDiabetes tipo 2 e, desde 2025, controle crônico de peso em adultos elegíveis.

Para controle de peso em adultos, as indicações de Wegovy e Mounjaro incluem IMC a partir de 30, ou a partir de 27 com pelo menos uma condição relacionada ao peso. O tratamento é associado a mudanças de alimentação e atividade física. Esses critérios não substituem a avaliação de contraindicações e particularidades. Fontes: Anvisa: produtos e indicações, Wegovy e Mounjaro.

Usar um produto fora da indicação aprovada é chamado de uso off-label. Isso precisa ser discutido de forma transparente com o médico, e não interpretado como autorização para comprar ou trocar uma caneta por conta própria.

Qual emagreceu mais no estudo comparativo?

No ensaio SURMOUNT-5, 751 adultos com obesidade e sem diabetes tipo 2 foram acompanhados por 72 semanas. A redução média de peso foi de 20,2% com tirzepatida e 13,7% com semaglutida. O estudo foi randomizado, aberto e financiado pela Eli Lilly. Leia o artigo publicado no New England Journal of Medicine.

Há um detalhe decisivo: foram comparadas as doses máximas toleradas de tirzepatida, 10 ou 15 mg, e semaglutida, 1,7 ou 2,4 mg, em uso semanal. São dados do protocolo de pesquisa, não uma orientação de dose. Não foi uma comparação direta entre Mounjaro e o esquema usual de Ozempic para diabetes.

A média favoreceu a tirzepatida nesse grupo e nesse protocolo. Ela não prevê quantos quilos uma pessoa específica perderá. Tampouco deve ser aplicada automaticamente a quem tem diabetes, usa outra dose ou apresenta condições diferentes das estudadas.

Mounjaro tem menos efeitos colaterais?

Não é correto prometer isso. No SURMOUNT-5, os eventos adversos mais comuns nos dois grupos foram gastrointestinais, em geral leves ou moderados e mais frequentes durante o aumento das doses. Fonte: SURMOUNT-5.

Uma pessoa pode tolerar um tratamento melhor que outra. Efeitos como náusea, vômitos ou diarreia precisam entrar na conversa, assim como o histórico clínico e os demais medicamentos. A documentação da Anvisa para tirzepatida também descreve riscos que exigem avaliação, como pancreatite e problemas da vesícula.

Se houver sintomas importantes durante o uso, procure orientação da equipe que acompanha o tratamento. Não ajuste a dose nem troque de produto com base na experiência de um conhecido. “Funcionou muito bem para ela” é um relato, não uma avaliação de segurança para você.

E o Ozivy, a semaglutida mais recente?

O nome é Ozivy. Em maio de 2026, a Anvisa aprovou essa semaglutida sintética para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, nas condições descritas no registro. A agência informa que o produto não foi registrado como genérico, mas como medicamento novo sintético análogo ao biológico. Veja o comunicado oficial.

O registro resulta de avaliação regulatória de qualidade, segurança e eficácia. Isso não permite anunciar automaticamente a mesma indicação para obesidade ou atribuir ao produto os percentuais de qualquer outro estudo de semaglutida.

Também não é responsável fixar aqui um valor de R$ 400 sem confirmar apresentação, dose e condições de venda. Registro, aprovação de preço pela CMED e disponibilidade comercial são etapas diferentes. O comunicado de aprovação não estabelece esse preço ao consumidor.

O custo faz parte de um tratamento viável

Um medicamento pode ser adequado do ponto de vista clínico e ainda assim não caber no orçamento. Isso merece uma conversa franca. Compare o custo ao longo do tempo e da apresentação prescrita, não apenas o valor anunciado de uma caixa.

Preço maior não comprova menor risco de efeitos colaterais. Não há fundamento para explicar uma diferença de preço simplesmente dizendo que uma caneta “faz menos mal”. E uma opção mais barata não se torna adequada apenas por ser acessível: a indicação continua sendo necessária.

Na consulta, vale perguntar quais alternativas existem, o que será acompanhado, quando haverá reavaliação e como lidar com dificuldades de acesso. Evite planejar um tratamento contando com uma promoção que talvez não continue.

O que levar para a consulta

  • Seu histórico de peso, tentativas anteriores e objetivos de saúde.
  • Lista de medicamentos e suplementos, condições de saúde e reações anteriores.
  • Exames já disponíveis. Novos exames devem ser solicitados conforme a necessidade clínica.
  • Dúvidas sobre alimentação, atividade física, tolerância e orçamento.

A escolha pode envolver um medicamento ou outra estratégia. Quando há prescrição, o acompanhamento serve para avaliar resposta, segurança e continuidade. No Brasil, esses medicamentos estão sujeitos à retenção de receita na venda. Confira a regra da Anvisa.

A melhor pergunta, portanto, é: qual tratamento tem indicação para o meu caso e pode ser acompanhado de forma segura e sustentável? Essa resposta depende de uma avaliação individual, não de um ranking de canetas.

Fontes e referências

Fontes consultadas em 9 de outubro de 2026.

  1. Aronne LJ e colaboradores. Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity. NEJM, 2025. DOI: 10.1056/NEJMoa2416394.
  2. Anvisa. Mounjaro (tirzepatida): nova indicação para controle crônico de peso, 2025.
  3. Anvisa. Wegovy (semaglutida): registro e indicação.
  4. Anvisa. Registro do Ozivy para diabetes, 26 de maio de 2026.
  5. Anvisa. Agonistas de GLP-1: indicações e retenção da receita, 2025.
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