Dr. Allan Stoltemberg, Medicina da Obesidade
Voltar ao blog
Comportamento e movimento

Construir um hábito pode ficar mais fácil em boa companhia

Uma amiga, o parceiro ou um pequeno grupo: como transformar companhia em apoio para uma rotina mais ativa, sem cobrança.

Grupo de pessoas se exercitando ao ar livre em uma área arborizada
Fotografia ilustrativa: Gabin Vallet / Unsplash.

Você não precisa montar uma turma

Talvez você conheça essa cena: decide começar a se exercitar, escolhe uma segunda-feira e chega ao fim do dia sem conseguir sair de casa. Falta de tempo, cansaço e uma rotina imprevisível podem atrapalhar. Uma estratégia possível é deixar de planejar tudo sozinho e combinar uma atividade com alguém.

Pode ser uma amiga, o marido, a esposa, um primo ou uma pessoa do trabalho. Não é necessário juntar dez pessoas, treinar no mesmo ritmo ou ter o mesmo objetivo. Às vezes, compartilhar o caminho até a academia ou uma caminhada já torna o compromisso mais agradável.

Companhia é uma ferramenta de apoio, não uma condição para conseguir. Algumas pessoas preferem se exercitar sozinhas e constroem uma rotina consistente assim. A melhor organização é aquela que combina com você.

O que a pesquisa permite dizer

Um estudo de intervenção com 220 participantes investigou a prática de exercícios com um novo parceiro durante oito semanas. Os dois grupos aumentaram a atividade física; o apoio recebido se manteve mais estável no grupo com companhia. Os resultados sugerem um papel possível do suporte social, mas não provam que treinar acompanhado seja sempre superior. Veja o estudo de Rackow e colaboradores.

Na prática, faz sentido experimentar: um encontro marcado pode diminuir a indecisão, e uma conversa agradável pode tornar a experiência mais convidativa. Isso é uma proposta de organização do comportamento, não uma promessa de emagrecimento nem uma regra que funcione igualmente para todos.

Um combinado pequeno e específico

“Vamos treinar qualquer dia” deixa muitas decisões para depois. Um plano concreto pode ser: “Terça-feira, depois do trabalho, vamos caminhar no bairro”. Definam local, horário e uma duração que pareça viável para os dois.

Uma ou duas ocasiões por semana podem ser um ponto de partida para organizar a rotina. Não significa que essa frequência, sozinha, alcance todas as recomendações de atividade física. Significa começar com um compromisso que vocês consigam repetir e ajustar.

  1. Escolham algo de que gostem. Caminhada, dança, bicicleta ou academia são possibilidades, conforme condições e preferências.
  2. Combinem o mínimo possível naquele dia. O encontro não precisa virar um treino longo para ter valor.
  3. Deixem um plano alternativo. Se chover ou alguém atrasar, decidam antes o que pode ser adaptado.
  4. Reavaliem depois de algumas semanas. O horário funcionou? A atividade foi agradável? O plano cabe na rotina?

Apoio não é fiscalização

Uma boa companhia respeita o ritmo, a privacidade e os limites do outro. Perguntar “quer que eu passe aí?” é diferente de cobrar presença, comentar o corpo ou transformar cada treino em uma competição.

Se vocês também estão em tratamento de saúde, compartilhem apoio, não prescrições. A alimentação, os medicamentos e o exercício indicado para uma pessoa não devem ser copiados pela outra. É possível seguir juntos e ter planos diferentes.

Combinem também o que acontece quando alguém faltar. O hábito não precisa ficar refém de duas agendas: quem puder vai, quem não puder retoma no próximo encontro. Essa flexibilidade ajuda a manter a companhia como incentivo, sem transformá-la em mais uma barreira.

Começar pequeno e progredir são coisas compatíveis

Para adultos, a Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana. A OMS também destaca que alguma atividade é melhor que nenhuma. Consulte as recomendações da OMS.

Esses números são uma referência de saúde pública, não uma cobrança para sua primeira semana. Aumente a atividade gradualmente, respeitando sua condição. Se você tem limitações, sintomas ou uma doença que demande adaptações, procure orientação para planejar a prática.

Não é preciso esperar uma motivação perfeita nem encontrar o parceiro ideal. Você pode começar sozinho, acompanhado ou alternando os dois formatos. O convite é testar uma ajuda simples: escolher alguém com quem o movimento fique mais leve e marcar um próximo encontro possível.

Fontes e referências

Fontes consultadas em 9 de outubro de 2026.

  1. Rackow P, Scholz U, Hornung R. Effects of a new sports companion on received social support and physical exercise: an intervention study.
  2. Organização Mundial da Saúde. Physical activity.
Ver todos os artigos
O próximo passo é seu

Pare de recomeçar.
Comece pelo diagnóstico.

Na primeira consulta você entende o que está travando o seu resultado e qual é o caminho real até o seu objetivo.

Agendar pelo WhatsApp
Vamos conversar?